domingo, 24 de julho de 2016

A POLÍTICA























Cândido Rosa “Poesia”

A POLÍTICA

A presunção de falar sem nada dizer
Vê-se a toda hora nos meios políticos
E quando eles falam com seus críticos
A sua retórica é difícil de se perceber!

Usando a retórica mais maquiavèlica
Falam muito, mas de concreto é nada
Empregam a cantilena bem estudada
Até já parecem uma seita evangélica!

Há quem diga que decoram a cassete
E falam como uma "madame coquette"
Mas sempre a dizer o mesmo e repetir!

No fundo servem para tudo empatar
E só querem ver o seu tempo a passar
Alguns só passam por lá para dormir!

Cândido Rosa
® Direitos reservados
25/07/2012
Foto: Net

quinta-feira, 21 de julho de 2016

SABEDORIA DO POVO
















Relicário de Poesia

SABEDORIA DO POVO

Na vida nem tudo é mau,
O desporto é um desafio,
Quando partes o degrau,
Dá-te sempre um arrepio.

Homem morto é defunto,
Tudo parte no ponto fraco,
Quando não sei pergunto,
Homem já foi um macaco?

Nem tudo é sempre bom,
O fado é sempre destino,
Tocado mas fora do tom,
Soará mal qualquer hino.

Mulher bela é a preferida,
Mulher feia ninguém quer,
A vida fica comprometida,
Se escolhes uma qualquer.

Se não gostas o que tens,
Só tens de mudar de vida,
Mas se deres os teus bens,
Acabas com a vida perdida.

Dizem do pior do Satanás,
Sem fazer mal a ninguém.
Já disso ninguém é capaz,
Sobre o Governo que tem.

Manuel Mar.
®
Torres Novas,21/07/2016

Foto: Net

A FORTUNA





























Relicário de Poesia

FORTUNA

A minha fortuna foi ter nascido,
São, sadio e com discernimento,
Mas neste mundo de tormento,
Há quem se sinta arrependido.

Fiz um avultado investimento,
Para manter a minha fortuna,
Foi numa época bem oportuna,
Em que usei todo o meu talento.

Não fiz mais porque não sabia,
Mas arrisquei quanto eu podia,
E só vivia como tinha desejado.

Quando não me restou a saúde,
Meti-me dentro do meu ataúde,
E já sem a fortuna fui sepultado.

Manuel Mar.
®
Torres Novas,21/07/2016
Foto: Net

A DANÇA À GREGA




























Relicário de Poesia

A DANÇA À GREGA
Num país de imensas tradições,
E com a democracia na sua raiz,
Tem vida cheia de contradições,
O povo tem até muitas aflições,
E nunca consegue viver ali feliz.

Mas há muitos anos já se sabia,
Que a democracia é coisa rara,
A candeia a que ela se alumia,
Nasceu de uma grande utopia,
E além de muito lenta é cara.

Era bonita se não tivesse custo,
Mas já se viu que é uma utopia,
Que o povo apanha muito susto,
E ninguém recebe o que é justo,
Gasta-se tudo com democracia.

O pior de tudo é uma miragem,
De todos fazerem vida de ricos,
O povo seduzido nessa imagem,
Vive a vida com pouca coragem,
E passa a vida a tapar os bicos.

E quando se gasta o que não há,
Devia haver muito mais cuidado,
A vida nunca deixará de ser má,
Viver do crédito sempre foi e será,
Um custo de vida mais agravado.

A democracia fez-se dona de tudo,
Mas gasta de mais e tem de pedir,
O governo faz da vida o entrudo,
E toda a raia que é o povo miúdo,
Perde tudo com sorte se não falir.

Manuel Mar.
®
Torres Novas, 3/07/2016


Foto: Net

segunda-feira, 18 de julho de 2016

O PODER DOS SONHOS






















Os Contos de Manuel Mar.

O PODER DOS SONHOS!

Acontece sem nos apercebermos que desde muito novos os sonhos começam a participar nas nossas vidas e a delinear o nosso futuro, interferindo em todos os nossos objectivos.
Sonhamos com tudo o que se passou antes e tentamos prever o nosso futuro, o que iremos aprender e os cursos que poderemos tirar, mas todos querendo ser heróis e ter fama.
Assim sonhamos com um mundo de acções possíveis e de situações até às impossíveis de realizar.

O nosso crescimento aumenta a capacidade mental e os nossos sonhos acompanham todo o conhecimento que vamos adquirindo, sendo até às vezes bons conselheiros ajudando a orientar os caminhos que vamos escolhendo.

Quando se perde vontade de sonhar muita da nossa capacidade fica prejudicada e normalmente essas pessoas sentem-se até perdidas na sua vida.
Os sonhos são, em suma, um trabalho da nossa alma que nos ajuda a ser alguém na vida e a encontrar a felicidade de viver.

Foi sonhando que os grandes inventores conseguiram alcançar as suas grandes descobertas que aumentaram o progresso das gentes e das Nações.
Sem os sonhos das nossas almas, a humanidade seria apenas como um animal sujeito a todas as tormentas e intempéries.
Sem o sonho, a nossa vida seria talvez como a monotonia de um deserto seco e desabitado, ou quando muito um grupo de animais lutando pela posse da terra à semelhança das feras selvagens.

Já dizia o poeta: “O sonho comanda a vida”

Manuel Mar.
®
Torres Novas, 8/09/2015

Foto: Net

O PESO DOS COSTUMES






























Os Contos de Manuel Mar.

O PESO DOS COSTUMES


Numa pequena freguesia do concelho de Mafra, em tempos que já lá vão há muitos séculos, havia uma tradição muito antiga só para os homens, que ninguém sabe quem a inventou.

O que se sabe é que quando se reuniam na igreja da freguesia e havia o ritual de acender as velas, os homens só as apagavam depois de saírem pelo corredor da sacristia, onde todos esmurravam as velas contra a parede para dessa forma as apagar.

O padre da freguesia um dia faleceu e foi lá parar um padre muito novo e brioso que não gostou de ver a igreja com a sacristia toda borrada e cheia dos restos da cera das velas.

O padre novo arranjou logo uma comissão paroquial para mandar limpar tudo o que estava muito sujo na igreja e pintar tudo de novo.

Assim foi feito e a igreja ficou como nova. Toda gente foi felicitar o Senhor Prior, levando algumas prendas como é costume em muitas freguesias.

Com a igreja toda bonita, o Prior escolheu um dia para a comemoração do acontecimento, com festa religiosa e banda filarmónica.

No dia da festa tudo correu do melhor até ao momento do apagar das velas. O Prior já tinha feito um pedido para não sujaram nenhuma das paredes porque tinha custado muito a sua limpeza.
Acabada a cerimónia, um paroquiano exaltado abeira-se do Prior e diz em voz alda:

- Saiba Vossa Reverência que há uma tradição que não pode acabar:

Nesta parede sempre o meu avô esmurrou a sua vela, o meu pai sempre a esmurrou e eu, bem alto lhe digo, que essa tradição não pode acabar e, contra a parede esmurra a sua vela.

Em seguida outros paroquianos o imitaram e fizeram o mesmo como era de tradição.

Consta que até hoje continua essa mesma tradição.

Mas o Prior é que não gostou e pediu para sair de lá e foi pregar para outra freguesia no concelho de Torres Novas à ordem do Bispo de Lisboa.

Manuel Mar.
®
Torres Novas, 12/5/2015
Foto: Net

O GANHÃO























Os contos de Manuel Mar.

O GANHÃO

          O meu avô paterno, era um agricultor que tinha sempre alguns criados para o ajudar.
 Um desses criados tinha ido para o seu serviço, ainda muito novo, nem tinha ido à escola que nem havia nesse tempo.
 O rapaz já tinha na altura uns 15 anos, mas nunca tinha saído da minha aldeia, e o meu avô paterno, resolveu levá-lo com ele à feira do Entroncamento que ficava a uns escaços 10 km. de distância.
 Na ida passaram pelas aldeias de Pé-de-Cão, Lamarosa e Barroca e o rapaz fez o caminho sempre calado, pois ia observando o que via pela primeira vez.
 Ao regressar, o rapaz volta-se para o meu avô e diz:
 -“ É patrão!
-Nem pensava que o mundo era tão grande assim!

 É claro que o meu avô terá dado a sua rizada…
 Eu não conheci o meu avô mas a sua fotografia com ele trajado a rigor à maneira da sua época, sempre me impressionou muito.

 Esta história e muitas outras, foram-me contadas por meu pai ao serão, à luz da candeia, no tempo em que não havia luz eléctrica, telefonia nem televisão.
 É uma história verdadeira podem crer.

Manuel Mar.
®
Torres Novas, 1/06/2015
Foto: Entroncamento 

O CIÚME NÃO DORME








































Os Contos de Manuel Mar

O Ciúme não dorme!

Algum tempo depois de se ter divorciado o Fernando matriculou-se na Escola Secundária para completar os seus estudos e começou a sentir-se assediado por duas ou três colegas da classe.
Havia lá por onde escolher: Solteiras, mães solteiras, divorciadas, etc., e também algumas casadas.
O Fernando ficou logo embeiçado pela Isabel, uma linda moça solteira com 22 anos e idade, de olhos verdes que era muito engraçada, mas se ia a algum lado com ela algumas outras colegas arranjavam sempre forma de irem também, principalmente uma loira que era muito metediça.
Com o rodar do tempo o Fernando já andava sempre com as duas e não conseguia decidir-se por nenhuma porque gostava da Isabel mas passou a sair com a loiraça indo a bailes, ao cinema, e correu o boato de que já seriam amantes.
Assim se passou um ano numa total indecisão, mas na verdade o Fernando não gostava da loira mas cedia aos seus constantes convites porque não era capaz de os recusar.
Um dia o Fernando pôs um ponto final e não saiu mais com a loira.
Era o tempo de férias o Fernando foi a Espanha umas semanas, e quando regressou trazia umas recordações de lá para oferecer à sua apaixonada a Isabel, mas ela serenamente teve uma reacção inesperada, respondendo que do Fernando não queria nada e que seria melhor que os fosse oferecer à sua amante, referindo-se à fatal loira.
O Fernando bem tentou defender-se e esclarecer o caso mas não teve nenhuma sorte, porque já era um caso arrumado.
Assim, ele que não queria a loira mas demorou a rejeitá-la, acabou por ser também rejeitado pela mulher de quem gostava porque o ciúme não dorme.

Manuel Mar
®
Torres Novas, 28/08/2015

Foto: Net

domingo, 17 de julho de 2016

O CASAL DA RIBEIRA





























Os Contos de Manuel Mar.

O CASAL DA RIBEIRA

Na minha aldeia, nos tempos antigos, era vulgar haver propriedades com casas de abrigo, que eram usadas para variados fins, todos ligados à agricultura.
Os meus avós também tinham casas desse tipo em propriedades que ficavam mais distantes do centro da aldeia.
Muitas histórias se contavam relacionadas com a vida desses tempos e das referidas casas de abrigo.
O meu avô paterno tinha uma propriedade denominada “A Ribeira” que tinha uma casa de habitação, e um grande palheiro, um poço com uma grande picota, uma grande horta, e cerca de 2 hectares e meio de terreno de oliveiras, figueiras, amendoeiras, pereiras, ameixieiras, vinha e outras árvores de frutos diversos.
Na casa de habitação viviam os patrões e as criadas duranta a semana e muitas vezes só aos Domingos é que iam passar o dia na aldeia.
O palheiro era destinado ao gado na parte debaixo, mas tinha um sótão grande onde guardavam a palha para sustentar os animais e um compartimento onde dormiam os homens trabalhadores à semana, de sol a sol, e os cridos quando os havia.
Os produtos produzidos eram guardados depois nas diversas instalações do meu avô na aldeia, onde tinha a adega, a casa da caldeira de destilar o figo, a tulha do figo seco, o forno de cozer o pão, os arcões para os cereais, as talhas do azeite, etc.
A casa do meu avô era vedada por uma cerca de 1 hectare,
e tinha um grande palheiro e 4 poços de água potável.
Fora da cerca tinha a casa do pessoal do rancho que todos os anos vinha fazer a colheita da azeitona.
Havia outras propriedades mais pequenas.
Nesse tempo, o que eu mais gostava, era da casa do rancho, que era um simples barracão bem situado no centro da aldeia com 3 divisões. No rés-do-chão havia uma grande lareira que servia de cozinha e onde se faziam as refeições do rancho e ao lado uma sala-quarto para o sexo feminino. Os homens dormiam todos no sótão.
Quando essa casa não estava ao serviço do rancho era ali que eu fazia muitas das brincadeiras de infância.
Mas aquando das partilhas a casa do rancho e todas demais casas e propriedades foram feitos 6 lotes e, depois no sorteio, a casa do rancho calhou ao meu tio Cândido, que há muito não vivia na aldeia.
Passado pouco tempo, feitas as escrituras, esse meu tio
vendeu  quase tudo e uma parte foi o meu pai que comprou, só não comprou a casa do rancho porque não
precisava realmente dela, e nesse tempo não havia fartura de dinheiro.
E assim acabou aquela casa do rancho que hoje é uma habitação, e nunca mais houve rancho da azeitona.

Manuel Mar.
®
Torres Novas, 5/05/2015  

Foto: Net

O BURRO MALFADADO


























Os Contos de Manuel Mar.


O BURRO MALFADADO


Era uma vez um homem criador de animais e que tinha um burrinho que saiu muito manso e que na sua terra ninguém o queria comprar.

O pobre homem um belo dia preparou o burro para ficar bonito e o levar feira para ver se conseguia arranjar um comprador. Quando viu que o burrito estava com boa apresentação, levou-o à feira,  indo à frente dele com a arreata na mão e uma varinha na outra mão para ir dando umas vergastadas no burro para não ter de puxar tanto por ele, porque além de manso era muito vagaroso.

Aconteceu que iam pelo mesmo caminho dois rapazes que eram estudantes, e quando viram o homem com o burro pela mão, pensaram e combinaram fazer uma partido ao pobre homem, esconderam-se e depois seguiram atrás deles.
Com o maior cuidado, um rapaz fez de burro e outro enfiou-lhe o cabresto do burro na cabeça, e assim ficou  a fazer de burro.
O pobre do homem, tão entregue aos seus pensamentos ia, que não deu por nada e continuou a levar o rapaz pela arreata pensado que levava o seu burro, enquanto o seu burro ficou para trás com o outro rapaz, que seguindo a uma boa distância, levou o burro verdadeiro à mão e soltou-o quando chegou ao mercado.

O estudante que tinha tomado o lugar do burro começou a ficar muito cansado e parou, fazendo que o homem também parasse. Ao olhar para trás, o pobre do homem ficou pasmado: No lugar do burro estava agora um rapaz. Procurando disfarçar a voz o rapaz diz com meiguice:
Ah! Meu senhor, quanto lhe agradeço por me ter dado uma vergastada na moleirinha! Assim quebrou o encanto com que uma velha bruxa me tinha transformado em burro.

Sem perceber o que se tinha passado, o homenzinho não parava de pedir desculpas ao rapaz por lhe ter batido tantas vezes porque o seu burro era muito teimoso e só queria estar parado.
Lá deixou o estudante ir à sua vida, lamentando a pouca sorte que teve ao ficar sem aquele burro.
Quando chegou à feira, começou a dar algumas voltas e logo reparou num burro lá estava e que era tal e qual o seu burro.

 Desconfiado, mirou e remirou o burro. Já não tinha dúvidas, aquele era o burro que não era burro e podia passar a ser rapaz de um momento para o outro. Aproximou-se mais do animal e disse-lhe baixinho:

 -Cá a mim tu não enganas mais nenhuma vez!
 Quem não te conhecer que te compre!

    E lá se foi à sua vida deixando abandonado o animal que tinha nascido malfadado e lazarento e, assim se fez lenda.

Manuel Mar.
®
Tores Novas, 31/05/2015
Foto: Net

CIDADE DE TORRES NOVAS - PARTE 2


A CIDADE DE TORRES NOVAS


sábado, 16 de julho de 2016

O BRUCHO DO CASTELO DOS MOUROS

















              

Os Contos de Manuel Mar.

O BRUXO DO CASTELO DOS MOUROS

Há muitos séculos no castelo dos mouros, segundo reza a lenda, habitava um mouro que se fez bruxo e juntou uma grande fortuna em dinheiro, ouro e jóias preciosas, com as bruxarias que fazia nos fundos do castelo.
A dada altura um exército cristão ajudado pelos cruzados, veio ajustar contas com os mouros para recuperar o seu antigo castelo.
O bruxo mouro como era um grande adivinho já tinha escondido o seu tesouro junto de uma velha fonte nos arredores do castelo.
Quando o bruxo estava a esconder o seu grande tesouro, foi surpreendido por uma linda moura que era costume ir beber água na fonte. O bruxo pensou logo em enfeitiça-la com a sua magia para que ela não desse com a língua nos dentes e divulgasse o segredo.
E como que celebrando um velho ritual disse:
— Em cobra ficarás encantada, e para sempre ficarás com a boca calada!
A linda moura transformou-se numa cobra rastejando e vivendo junto da fonte.
Os cristãos tomaram o castelo de assalto, matando uns e expulsando outros, mas o bruxo nunca mais apareceu por aquelas bandas.
Diz-se que, em noites de S. João, alguém viu junto ao castelo uma bela moura a dançar ao luar, e quando um rapaz a convidou para dançar com ele, ela não lhe respondeu e desapareceu.
Sobre as pedras da fonte alguém encontrou uma pele de cobra recentemente despida, e diz-se que ela continua a viver como cobra na velha fonte, mas o tesouro do bruxo nunca foi encontrado.

Manuel Mar.
®
Torres Novas, 27/05/2015
Foto: Net

O BRAÇO ESFORÇADO

























O Diário dos Contos de Manuel Mar.

O BRAÇO ESFORÇADO

A implantação de República Portuguesa, em 1910, trouxe profundas e cruéis mudanças que muito afectaram o viver das gentes do nosso povo.
A expulsão dos jesuítas teve consequências muito nocivas, basta lembrar que todo o ensino em Portugal estava na mão deles e, ao confiscarem-lhe todos os bens nada o país lucrou e o pior foi conduzir as finanças públicas à penúria pois toda a economia se arruinou. Muitas casas comerciais e financeiras faliram e, o próprio estado ficou sem nada no tesouro e cheio de grandes dívidas.

Se a vida nas cidades era uma verdadeira miséria e havia roubos de noite e de dia mesmo com portas trancadas às sete chaves, a vida no campo também não era boa, mas sempre havia alguma ajuda entre os vizinhos.

Nas aldeias, cheias de gente nova e trabalhadora, produzia-se tudo o que era possível para vender nas vilas e nas cidades para matar a fome a todos mas, mesmo assim, ainda havia falta de tudo.

Pode-se dizer, em abono da verdade, que foi o braço esforçado do povo que venceu, com grandes sacrifícios, essa grande crise e, apesar de ter sido agravada pelo rebentar da 1ª Grande Guerra Mundial de 1914 a 1918.

Foram anos de dificuldades e privações até ao Estado Novo e à Constituição de 1933 altura em que começaram a resultar as medidas impostas por Salazar que, conduziram à recuperação da
Economia e finanças de Portugal, e que foram progressivamente melhorando até ao 25 de Abril.

A chamada revolução dos cravos feita em nome da salvação do povo, se trouxe algumas melhorias foi sol de pouca dura, porque decorridos dois anos estavam esvaziados os cofres do estado e, temos andado de crise em crise e, adeus mundo, na realidade, não existe nenhuma garantia de e que o nosso futuro será melhor.

O que se sente é que a luta política se tornou num luxo de disputa
desenfreada  de tudo o que são lugares do poder da nação e que toda a governação do estado português consome o que o país não consegue produzir.

Assim compete ao povo acabar com todos os luxos do governo, da assembleia da república, e de todos os departamentos do estado, fazendo com que a lei seja igual para todos.
É preciso moralizar as hierarquias e introduzir uma escala com sete degraus e que cubra todas as categorias de trabalhadores universalmente com base no mérito de cada um e não nos lobbies que se tem criado por todo o lado.

Todos os privilégios que se foram criando para os servidores do estado não tem nenhuma razão de existir: ou serão extensivos para todos os trabalhadores; ou terão de acabar.

Os escalões de vencimentos seriam assim:
525€ para ordenado mínimo e 3.675€ para ordenado máximo.
725 €  “                                       5.075€  “

Se continuar como está não pode conduzir a um bom destino na minha opinião.
  
Manuel Mar.
®
Torres Novas,25/03/2015
Foto: Net

UM AMOR FATAL

























Foto antiga da rua da capela dos Soudos - Torres Novas



Conto de Manuel Mar

O AMOR FATAL

Com a implantação de República Portuguesa, em 1910, houve profundas e também cruéis mudanças políticas que, muito afectaram o viver do nosso povo.
A expulsão dos jesuítas teve consequências muito nocivas, basta lembrar que todo o ensino em Portugal estava na mão dos deles e, ao confiscaram todos os seus bens nada o país lucrou e conduziu as finanças públicas à penúria pois toda a economia se arruinou.
Muitas casas comerciais e financeiras faliram e, o próprio estado ficou sem nada no tesouro.
Os jesuítas possuíam grandes riquezas que ao serem-lhes onfiscadas levaram ao despedimento de uma multidão de toda a classe de obreiros que, de um dia para o outro perderam o seu modo de vida.
Por esse motivo, um tio da minha mãe, irmão da minha avó, que era empregado dos jesuítas no seminário de Santarém, e tinha uma boa vida, teve que regressar à aldeia e teve grandes problemas na sua vida.
Se por um lado, há muitos que tinha deixado o cultivo das suas terras e, teve muita dificuldade em recomeçar uma vida de agricultor, por outro lado surgiram-lhe, também, problemas com a sua namorada de há vários anos porque ela acabou o namoro por não querer deixar a cidade e ir viver no campo.
O pobre do homem fez tudo para a reconquistar mas apesar dos seus esforçou ela foi irredutível e ele com essa mágoa começou a definhar e adoeceu.

A sua doença foi depois diagnosticada como sendo uma terrível tuberculose, e ele seguiu para um sanatório na Serra da Estrela, e passado pouco tempo depois faleceu.

Os seus bens que tinham sido herdados do pai que tinha falecido muito novo, voltaram para a minha bisavó a Dona Vitoriana e, mais tarde foram herdados pela minha avó e as suas sete irmãs.
A minha avó passados uns anos faleceu em 1961 e os bens foram distribuídos pelos seus quatro filhos.
Mais tarde em 1963 eu fui viver na antiga casa da minha avó e, ainda hoje detenho alguns objectos que pertenceram ao meu tio-avô, que tinha sido vitimado pela maldita tuberculose, em consequência de uma grande paixão, que para ele foi o amor fatal.

Manuel Mar
®
Torres Novas, 31/05/2015

Foto: Net

A TIA ANA DOS OVOS































Capela dos Soudos junto à qual a tia Ana vendia os tremoços

Os Contos de Manfer

A TIA ANA DOS OVOS

A tia Ana dos Ovos, era irmã do meu avô paterno, que morava nos Matinhos, na aldeia de Soudos, freguesia de Paialvo do concelho de Tomar.
Quando a conheci a tia Ana já ela era muito velhinha.
O meu avô Manuel Ferreira já tinha falecido quando eu Nasci. 
Eles viviam da agricultura e da venda de produtos da sua produção, tal como uma boa parte dos moradores da aldeia, mas a tia Ana dos Ovos era muito popular porque passava os dias a vender ovos e tremoços por todas as aldeias limítrofes e vivia à sua maneira, que eu achava muito estranha.

Ela tinha três filhos e o mais velho tinha-se estabelecido no ramo dos vinhos, tendo ela e marido sido seus fiadores.
Mas ao tempo havia a crise da 2ª Grande Guerra, e o negócio correu tão mal que tiveram que vender as propriedades para pagarem essa divida.
Passado algum tempo o marido dela que já não podia trabalhar e que passava os dias a aquecer-se ao sol no seu quintal, não aguentou um dia mais frio e acabou por falecer.
Ela continuou a fazer a sua vida e a viver com o filho solteiro que passados alguns anos faleceu e ela ficou a viver sozinha na sua casa velhinha, mas nessa altura começou a ser ajudada pela família.
O que mais me impressionava era a forma de ela se alimentar, pois a qualquer hora do dia, ela só fazia açorda de pão com ovos e um dente de alho e uma pedra de sal e, assim viveu até aos 104 anos de idade, quando entregou o seu corpo à terra e a alma ao Deus criador.
O seu velho casebre ficou para uma neta que lá mora com a sua família.

Manfer
®
Torres Novas, 25.02.2010

Foto: Net

sexta-feira, 15 de julho de 2016

A RAINHA ADY







































Os Contos de Manfer

A RAINHA ADY

No país do faz de conta havia um rei já bem entrado na idade, que era solteiro, e vivia num grande castelo com toda a sua corte, mas por andar sempre em guerra com os países vizinhos, ainda não tinha tido tempo de paz para se poder casar.
Os conselheiros do reino fizeram-no acabar com essas guerras e aconselharam-no a arranjar descendência para o seu reino poder ter sucessores do rei.
O rei deixou as guerras mas sempre que podia ir fazer grandes caçadas por muitas terras do seu reino.
Um dia estava o rei numa caçada e encontrou  um velho pastor junto à sua cabana e, que tinha com ele uma filha muito linda chamada Ady e ficou encantado com ela e ali ficaram a conversar horas sem fim.
No fim da conversa o rei disse ao pastor que os seus conselheiros queriam que ele se casasse para deixar um sucessor e prometeu voltar para falar com a Ady porque tinha gostado muito dela.
E, assim aconteceu. Passado alguns dias o rei voltou à cabana do pastor onde morava a sua formosa filha.
O rei começou a falar com a pastora contando-lhe que os seus vassalos querem que eu case, e tu és a única mulher de quem gosto.
Tu queres casar comigo?
-Meu senhor rei como pode ser se eu apenas sou uma pobre pastora.
-Tu és uma linda pastora e eu quero casar mesmo contigo e apena com a condição de tu nunca contrariares os meus desejos.
-Aceitarei tudo o que o meu Rei me ordenar!

Então o rei mandou para a cabana do velho pastor os mais lindos fatos de rainha, que ela vestiu, deixando de lado as suas roupinhas que o pai lhe mandou guardar para recordação.
A filha guardou os trapos em uma caixa, que deixou em poder do pai, e partiu para o palácio do rei para se casar.
Passado pouco tempo realizou-se o casamento real com grandes festas e banquetes daqueles que se ouve muitas vezes falar.
O rei e a rainha Ady depois do banquete partiram na galera real e foram de núpcias para as melhores termas do reino, onde foram muito felizes pois a rainha fazia tudo para agradar ao seu rei.
O tempo passa mas não perdoa e ao fim de nove meses a rainha pastora deu à luz uma menina, ainda mais formosa que a sua mãe. Houve então muitos abraços e beijos de parte a parte.
O grande amor que eles sentiam mutuamente fez deles muito felizes e tiveram muitos filhos.

Manfer
®
Torres Novas, 25/04/2015
Foto: Net

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A LENDA DO POÇO AMALDIÇOADO




































Os Contos de Manfer

LENDA DO POÇO AMALDIÇOADO

Contava a minha avó uma lenda muito antiga da sua aldeia de Vila Nova, Paialvo.
Vivia um homem muito rico e brasonado que tinha uma filha encantadora, que ele queria ver casada com o filho de um seu amigo que possuía um grande condado.
A formosa moça não atendia o desejo do pai e dizia sempre que era muito nova para pensar nessas coisas. Mas a Maria Julieta, mais conhecida por Mariazinha andava a esconder do pai o namorico que mantinha com um rapaz pobre da aldeia de quem ela estava apaixonada há muito tempo e com quem se encontrava às escondidas.
Como o pai da Mariazinha todos os dias pela hora do calor dormia uma boa sexta descansada, ela estava combinada com uma aia velinha e, ia ter com o seu namorado durante um bom tempo num lugar secreto que só os dois sabiam, e já tinha tudo preparado para fugir dali num certo dia para se casarem.
O pai nunca deu por nada porque quando acordava da soneca, logo a aia avisava a Mariazinha e ela logo aparecia como se na realidade nada se passasse.
Mas o tempo ia passando e o pai começou a desconfiar de que a filha lhe andava a esconder qualquer coisa e, deu ordens a um dos seus homens de armas para que seguisse a filha e lhe contasse o que ela fazia. Isso não deu resultado porque o espião estava longe de imaginar que o local secreto onde a Mariazinha se encontrava com o namorado e que era o quarto da aia junto à copa.
O homem ficou irado e um dia fingiu que ia dormir a sexta,
e foi espreitar a filha, levou o guarda e quando viu a filha com o rapaz mandou o guarda fazer fogo nele. O rapaz teve muita sorte e conseguiu saltar pela janela e cair no fosso do palácio e esconder-se.
A Mariazinha pensou que o seu Romeu estava morto e sem pensar mais nada, fugiu e atirou-se para dentro do poço que havia junto ao palácio e morreu afogada.
A partir de então, o poço era conhecido como “O Poço Amaldiçoado” e quem frequentava o palácio contava que nas noites de Lua Cheia viam o vulto de uma mulher toda vestida de branco, “a noiva desventurada”, a Mariazinha, irrompendo da embocadura do poço e sumindo-se no ar como se fosse a subir ao céu.
A mesma lenda dizia que a Mariazinha faria isso para abençoar os casais enamorados que se viam contrariados pelos pais e, eram muitas vezes obrigados a casar com quem não queriam por ser de outro o seu verdadeiro amor.
Do pobre e infeliz Romeu a lenda não conta mais nada, mas como o rapaz escapou com vida, terá deixado aquela aldeia e procurado refúgio num bom destino.
Passados tantos anos, o que custa é acreditar que, ainda hoje, essa tradição de os pais mandarem no casamento dos filhos, em algumas situações ainda acontece o mesmo.

Manfer
®
Torres Novas, 31/05/2015
Foto: Net

A LENDA DAS SEREIAS DA NAU DOS CORVOS



























Os Contos de Manfer

LENDA DAS SEREIAS DA NAU DOS CORVOS

Conta uma antiga lenda, que no penedo chamado “A Nau dos Corvos” no Cabo Carvoeiro, Peniche, havia uma gruta muito profunda onde habitavam as sereias do mar e que quando os pescadores por lá passavam se as sereias estivessem a cantar eles eram atraídos pelo seu belo canto.
Então cada vez que lá passava um barco ir pescar no mar nunca regressava e, diz a lenda, que eram as sereias que existiam naquela zona do mar, que cada vez que os pescadores por ali passavam nos barcos elas punham-se logo a mostrar-se como mulheres mas sem mostrarem a parte de baixo que era mesmo um rabo de peixe.
Pareciam lindas mulheres de cabelos compridos e eram como autênticas mulheres da cintura para cima. Com aqueles longos cabelos, lindos olhos, e então punham-se assim a acenar aos pescadores. Os pescadores ficavam todos encantados com as sereias que cantavam em coro um canto muito lindo de encantar, que se ouvia muito bem ao longe e atraia os pescadores que levavam o barco para as verem de mais perto e elas logo iam ao seu encontro.
Mas o mar ficava cheio de sereias o que provocava naquela zona um grande remoinho e os barcos quando lá caíam, elas saltavam todas para dentro dos barcos e eram todos engolidos pelo mar, já que não podiam com tanta sereia e todos naufragavam e as sereias levavam os pescadores com elas para o fundo do mar, porque os pescadores tinham ficado parvos, atraídos pela beleza daquelas mulheres sem saberem que elas não eram mulheres mas sim as traiçoeiras sereias do mar.
A sorte de muitos pescadores era que eles para não ouvirem o canto encantado das sereias, quando passavam por perto, punham tampões nos ouvidos, e como aquele canto não ouviam ficavam livres do encanto e iam pescar no mar junto às Berlengas e, regressavam sempre a casa carregados com a boa pescaria.
E assim ficam a saber a lenda das sereias da nau dos corvos que sempre ali sugaram homens para o fundo do mar, nesse perigoso e maldito Cabo Carvoeiro.
Manfer
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Torres Novas, 31/05/2015

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